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Agricultura urbana fortalece sistemas alimentares e reduz impacto ambiental, aponta estudo

  • Foto do escritor: Cityfarm
    Cityfarm
  • 3 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura
horta comunitária
horta comunitária

Pesquisa científica publicada em junho detalha como hortas urbanas, sistemas verticais e tecnologias sustentáveis ajudam a criar cidades mais resilientes e socialmente integradas. Com o avanço das crises climáticas, o crescimento urbano desordenado e a dependência de cadeias globais de suprimento, cresce o interesse por soluções que aproximem o alimento do consumidor e tornem as cidades mais autossuficientes. A agricultura urbana, nesse contexto, desponta como uma das estratégias mais promissoras — e agora com respaldo técnico-científico.

Um estudo publicado em junho de 2025 no periódico Discover Food, conduzido pelo pesquisador Zafar Tabrez e colaboradores, analisou experiências de agricultura urbana em várias partes do mundo e mapeou seus impactos ambientais, sociais e alimentares. A metodologia envolveu análise de dados em quatro fases, considerando variáveis como uso do solo, tipo de cultivo, envolvimento comunitário e indicadores ecológicos.


Benefícios ambientais concretos


Entre os resultados mais relevantes, destaca-se a redução de emissões de carbono associadas ao transporte de alimentos. Ao cultivar próximos dos centros de consumo, evita-se o deslocamento de caminhões, aviões e navios, que representam boa parte da pegada de carbono da cadeia alimentar convencional.


Além disso, os sistemas urbanos de cultivo contribuem para:


  • Mitigar ilhas de calor, por meio da vegetação urbana;

  • Aumentar a infiltração de água da chuva, reduzindo alagamentos;

  • Aumentar a biodiversidade urbana, atraindo polinizadores e regenerando microecossistemas;

  • Reutilizar resíduos, por meio de compostagem e biofertilizantes.


Hortas verticais e tecnologias hidropônicas


O estudo também aborda o papel das tecnologias como hidroponia, aquaponia e cultivo vertical na maximização do uso de espaços reduzidos. Essas soluções são especialmente úteis em cidades densamente povoadas ou com pouco solo disponível, como é o caso de São Paulo, Tóquio ou Nova York.

Além de consumir até 90% menos água que sistemas tradicionais, essas técnicas permitem colheitas mais rápidas, controle de pragas sem agrotóxicos e produção em ambientes internos — o que amplia seu potencial de replicação em escolas, empresas, condomínios e comércios.


Aspectos sociais e econômicos


A pesquisa ressalta ainda que a agricultura urbana não traz apenas benefícios ambientais. Ela fortalece comunidades, promove inclusão e gera renda. Iniciativas analisadas demonstraram:


  • Criação de empregos locais;

  • Empoderamento de mulheres e jovens;

  • Redução da insegurança alimentar;

  • Aumento do conhecimento sobre nutrição e sustentabilidade.


A presença de hortas urbanas também melhora a saúde mental, amplia o convívio entre vizinhos e reativa espaços antes degradados ou abandonados.


Embora o estudo tenha foco internacional, seus resultados se aplicam perfeitamente ao contexto brasileiro. Nas grandes cidades — muitas marcadas por desigualdade, insegurança alimentar e abandono de espaços públicos — hortas verticais, jardins comestíveis e sistemas produtivos comunitários podem ser vetores de transformação urbana.

Cidades como São Paulo, Recife, Curitiba e Belém já têm iniciativas em andamento, mas ainda há enorme potencial para integração entre política pública, empresas do setor e organizações comunitárias.


Oportunidade para empresas e empreendedores


Para empresas que atuam com sustentabilidade, ESG e regeneração de espaços urbanos, a agricultura urbana representa uma frente de ação estratégica. Instalar hortas em ambientes corporativos, oferecer capacitação em cultivo ou apoiar projetos comunitários são formas eficazes de alinhar propósito, impacto social e inovação.


📚 Fonte:Tabrez, Z. et al. (2025). Sustainable cities: enhancing food systems with urban agriculture. Discover Food, June 2025.🔗 Leia no ResearchGate

 
 
 

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